sábado, 14 de outubro de 2017
Grandes encontros
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Suyan de Melo
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domingo, 27 de agosto de 2017
No dia em que descobri as funções do sambaqui
(Publicado primeiramente aqui.)
É primavera de 2014
eu nas pesquisas pruma arte visual
sobre aquela maniazinha
que se carrega pela vida:
querer deixar no mundo um nada que seja
uma coisinha que nos imortalize
e pra isso serve um poema,
uma piada,
uma história,
uma tela,
um biquinho de crochê
um filho
uma foto
uma boneca de pano
a dedicatória escrita num livro
uma pipa caseira
uma casinha na árvore
um souvenir de Itavuvu da Serra
uma receita especial de nhoque
pra usar nos dias vinte nove
serve até um mantra
e, na falta, serve um
bilhetinho já lido
de biscoito da sorte
(...)
escolho representar na tela
uns padrões de pintura rupestre
com a arte da pré-história mostrando
essa mania de deixar pegadas
não é coisa só de agora
(...)
nisso é que acontece
acidentalmente
cruzando google com
livros de história
a minha grande descoberta desse dia:
eu até então pensando que sambaqui
era só um monte de concha antiga
descubro que nos antigamentes
ele era espaço multiuso,
monumento, mirante, cemitério,
oficina metalúrgica e lítica
além do calcário para a construção civil
comparado em livros e estudos
às esfinges e pirâmides do Egito!
será que eles sabiam que essa concharada
tinha chance de chegar ao nosso tempo?
só sei que hoje, quando ando na praia
e vejo qualquer cacareco de marisco,
com um cantinho do olho entre
o astigmatismo e a agonia
eu olho pra trás, olho pra frente
enxergo passado, enxergo futuro
tudo assim meio bagunçado
bem aqui no meu presente.
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Suyan de Melo
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Textos semanais n'O Correio
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Suyan de Melo
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quinta-feira, 1 de setembro de 2016
MATÉRIA DE POESIA
https://issuu.com/ocorreio/docs/ed_1383
Conheci uma parede tatuada de tempo
que na mesma hora sequestrou meu olhar
em ca sa men to
eu ali, me
desconstruída
i n t e i r a
ao pé de si
com a câmera na mão
sem cuidar os carros
sem dizer um não
não só pra luminescência
das palavras pintadas
e há muito
rasgadas de vento
– doces velas cristais –
e outras
mas pro arranjo que elas fazem
com a exclusivíssima paleta
de mofos
em seis ou sete tons
ricamente desiguais
sobre tijolos de barro com mato
e samambaias lhes brotando
de por dentro
bordado fino
de poeira
e letras
velhas
já um pouco
cínicas
e risonhas
de muito
dormirem no
sereno
e nisso eu tateio no bolso
dentre trevos e recibos
uma leve incerteza florescida:
(enxergasse o Manoel de Barros
a sequência de três minutos e tal
que dura de ponta a ponta
esse nosso casamento
quiçá essa pintura renderia
alocada em seu caderninho de ocasião
e sem moeda com que se lhe pagasse
a peso de nuvem alta
uma over
dose bruta de
matéria de poesia)

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Suyan de Melo
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07:07
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domingo, 31 de maio de 2009
na cama
acordei nas seis horas
do despertador
tinha mais o que fazer
mas inda era cedo
e tão confortável
voltei a dormir
um ruído qualquer
me reacordou
às onze e meia
nem sei de quando
era meio tarde
mas tinha tempo
e fiquei dormindo
despertei, enfim
nem sei que hora
dum dia qualquer
do ano dois mil
e setenta e quatro
me vi no espelho
e – bruscamente
não tinha mais
t e m p o
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Suyan de Melo
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