sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Cumprimentando o SESC Laguna [2009]

Não pude assistir a todos os espetáculos oferecidos pelo SESC em Laguna no ano de 2009, mas registro aqui os que acompanhei, e sorte daqueles que terão a chance de fazer o mesmo, nessas turnês que estão sempre acontecendo pelo estado, país e mundo. Muito apropriado citar um verso do Caetano: 'Gente é pra brilhar'. E o SESC é pra fazer a felicidade de tanta gente, inclusive a minha.


'Mi Muñequita' (Escritório de Produção - Florianópolis/SC)


"Mi Muñequita é a história de La Nena, uma menina que para crescer precisa se libertar da violência de sua família desajustada: La Madre, El Padre e El Tío. Para tanto ela conta com a ajuda de La Huerfanita, sua boneca preferida. El Presentador é o mestre de cerimônias que nos conduz através desse show de variedades perverso, engraçado e surpreendente."



'Chora, Santa!', com 'Chá de Cevada' (Joinville/SC)

"O grupo Chá de Cevada nasceu em 2007, com a iniciativa de músicos locais que almejavam um mesmo objetivo musical: o de promover o choro brasileiro, e fortalecendo a cultura brasileira também em Santa Catarina, onde todos moram. É formado por Cláudio Moraes (flauta e sax), Carlinhos Ribeiro (pandeiro), Ana Paula da Silva (violão de 6 e voz) e Renato Lemos - Gauchão (violão de 7)."



O 'Projeto Sonora Brasil' - Formação de Ouvintes Musicais - com o tema Violão Brasileiro, realizou, em sua décima segunda edição, programações identificadas com o desenvolvimento histórico da música no Brasil.

Daniel Wolff (RS) e João Pedro Borges (MA)


Salomão Habib (PA)


Com Salomão e a Heleine, que desempenha com excelência seu papel à frente da Cultura no SESC de Laguna.








'Amor Barato' (Cia Didois - Joinville/SC)











"Amor Barato versa sobre o encontro e o desencontro de um casal. Compartilha com o público o amor, a solidão, o desapego e o cuidado. É a dança das simples ações cotidianas, alicerce da sobrevivência. Amor Barato é uma nova proposta visual, é dança-teatro, mostra a ação dançada. Provoca e inquieta, convida o público a participar da re-construção da obra, tendo como matriz a criação de partituras a partir da relação do estímulo sonoro do universo musical de compositores brasileiros que versam sobre o amor, e do universo de cada intérprete: suas lembranças, sonhos, amores, sons, cheiros, frases, sensações, palavras..."



'O Hipnotizador de Jacarés' (Circo Teatro Girassol/RS)


"Os palhaços Serragem, Farinha e Farofa desta vez se preparam para hipnotizar um jacaré-do-papo-amarelo, fera sanguinária trancafiada em uma caixa cheia de furos e correntes. Enquanto o grande momento não chega, muitas peripécias e números divertidos se sucedem. O hipnotizador de jacarés é uma homenagem aos palhaços brasileiros. Mostra algumas das entradas, reprises e bexigadas tradicionais de palhaços e comediantes populares."









'Hysteria' (Grupo XIX de Teatro/SP)


"Espetáculo de rara beleza e sensibilidade, resultado de um trabalho de pesquisa feito pelo grupo XIX de Teatro, tendo como foco principal as relações sociais da mulher brasileira no fim do século XIX. As dependências de um hospício feminino carioca são o pano de fundo para que cinco personagens, diagnosticadas como histéricas, revelem seus desvios e contradições."



'Inventário' (Doutores da Alegria/RJ)


"Inventário transpõe para o palco cenas inesquecíveis dos oito anos de atuação dos Doutores da Alegria nos hospitais do Rio de Janeiro. Depoimentos comoventes e humorados mostram um pouco da insólita experiência de ser palhaço numa enfermaria de hospital. Em cena, um jogo de improvisação baseado nas memórias dos atores mistura realidade e ficção nas vozes do paciente, do artista, do médico e do palhaço."



'Cassicaprese', com Nana e Tomate (Argentina)







"Nana y Tomate es un espectáculo único de comedia que combina inocencia y sarcasmo, junto con globos y trucos para mostrar el arte de Clown de una manera completamente diferente."











'Speerman' (Loco Brusca - Espanha/Argentina)


"El antihéroe deseado por las mujeres, admirado por los niños y envidiado por los hombres. Tiene preparadas delirantes hilarantes y diferentes aventuras con las que te vas a divertir. Es uno de los espectáculos con los que más éxitos he conseguido y he presentado alrededor del mundo, de estilo interactivo de clown y circo. Puede ser para todos los públicos o sólo adultos; también sketchs para show de variedades o cabaret."



'A Noite dos Palhaços Mudos' (La Mínima/SP)



"Os Palhaços Mudos são seres que habitam a cidade e dedicam-se a praticar palhaçadas.
Existe uma Seita, no entanto, que os considera uma ameaça alarmante e os persegue, na tentativa de extingui-los. Numa noite de caça a dois Palhaços, conseguem capturar apenas um e na tentativa de matá-lo, conseguem apenas arrancar seu nariz. O pobre mutilado escapa, e não conseguindo suportar a vergonha ele se desespera. Surge então o segundo Palhaço Mudo, que entende o que aconteceu e arrasta-o para um ousado resgate nasal. Perseguições em meio às sombras misturam-se a truques de magia, números musicais e outros absurdos cômicos, para apresentar os conflitos entre intolerâncias contemporâneas e a lógica do palhaço, se é que ela existe." (foto Carlos Gueller)



'Cyril Hernandez' (França)



"Cyril Hernandez é percussionista, intérprete, improvisador e compositor. Seus projetos artísticos trazem sempre um questionamento do espaço e do corpo. A arte de Hernandez sofre influências de variados estilos musicais e performáticos: desde a música clássica, com os pianistas Nelson Freire e Martha Arguerich, até a música contemporânea, com Nicolas Frize, ou ainda a improvisação, com Bernard Lubat, passando pela música pop com Emilie Simon."



Sem falar na Mostra de Cinema Francês Contemporâneo, na Mostra Jodorowsky de Cinema, nos Círculos de Leitura, na Oficina de Escrita... Por tudo e em nome do público, rendo ao SESC meus melhores cumprimentos. E que venham os espetáculos de 2010!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Desfoque

A vida inteira teve pânico de mar revolto. O vacilo foi confiar na calma turva e movediça da lagoa.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Opções

Sim ou não, bastava escolher. Mas era indeciso demais.

terça-feira, 23 de junho de 2009

proporção


Não vou dizer que é desproporcional, pois desconheço as particularidades botânicas e mesmo o nome da planta. Mas assim de passagem arrisco dizer, pelo menos, que é uma proporção bem curiosa.





[Em Laguna, de frente pra orla do Mar Grosso]

domingo, 31 de maio de 2009

na cama

acordei nas seis horas
do despertador
tinha mais o que fazer
mas inda era cedo
e tão confortável
voltei a dormir

um ruído qualquer
me reacordou
às onze e meia
nem sei de quando
era meio tarde
mas tinha tempo
e fiquei dormindo

despertei, enfim
nem sei que hora
dum dia qualquer
do ano dois mil
e setenta e quatro
me vi no espelho
e – bruscamente
não tinha mais
t e m p o

domingo, 19 de abril de 2009

laranja e amarelo











‘não quero isso aqui!’, pensou
o dono do maracujazeiro
onde a borboleta colava
na folha escolhida
um a um, delicada
sua porção de ovos

cada ovo uma lagarta
que só com muita folha-comida
vira pupa, vai pro casulo
e se metamorfoseia
em borboleta de asa laranja

‘essa praga de lagarta!’
xingou logo o plantador
que gosta é do amarelo-ouro
na casca e na polpa das frutas

mas até em pequenos mundos
em cada ecossistema
já se sabe
há umas brigas por território

deseja-se o ouro
no miolo dos maracujás
deseja-se o laranja
nas asas da borboleta

domingo, 5 de abril de 2009

todos os dias

Querido meu Deus,
muito, muito, muito grata por tudo. Inclusive pelas dificuldades. Muito grata.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

essa gente

‘essa gente’, eu pensava
mas nisso eu era bem nova
era quando eu ainda
já sabia de tudo

essa gente que se perde
em cada coisa pequena
que gasta o tempo
aguando planta
limpando casa
lavando roupa
criando filho
criando bicho
e a vida se esvai

eu olhava essa gente
por fora da moldura
era uma foto onde eu não cabia
até orgulho isso me dava
tudo meu é que prestava
tudo meu é que era bom

eu, quando sabia de tudo
tinha pena dessa gente
que vivia em vão

hoje volto mais cedo
por medo de o jasmim secar
e celebro um tempo novo
de releituras
de limpezas
na casa, nos caminhos
na visão
nos outros sentidos
plenitude
em cada hora mínima
lavando chão e achando bom

hoje eu não sei
mas bem desconfio
- essa gente quando me olhava
também tinha pena de mim

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

mãos vazias










um sol se indo
eu te ofereço
ou uma nuvem
ou desenho abstrato
– sempre gostei de abstrato –
ou sementes variadas
ou água fresca
servida nas mãos
ou só as mãos
carregando nada

tu, que tens olhos bons
já viste a lindeza
de mãos vazias
compondo tela
de pintura muda?

tu, que és tanta luz
– e eu sempre soube –
e tens palavras
que antes de dizeres
eu não sei que tens
e só as descubro
em cada agora
em que me chegam
– cada vez é um agora –
e me espanto

tu conheces, afinal
o gosto, a hipnose
de mãos em repouso
oferecendo o nada
em calmo e silencioso
estado de graça?

pois fica com o nada
que tenho agora nas mãos
ele já é teu
sê gentil como sempre
e cuida bem desse nada
que me é tão precioso

e o que não tenho nas mãos
reflete o rosa e o laranja
e os outros tons furta-cor
desse sol que quase todo dia
se deita na minha lagoa



Lagoa de Santo Antônio dos Anjos de Laguna

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

cidade adversa

vê bem
vindos de todo lado
eles chegam aos milhares
entre dezembro e março
maravilham-se
e se vão

eu não
eu vim e fiquei
disse até mais! àquela outra
tão boa também

lá deixei tesouros
canteiros de hortaliças
oito velhas laranjeiras
em franca produção
amoreiras furta-cor
uma dálmata parindo
o tempo esculpindo o areal
das dunas da praia com ventos
tanta gente amiga
a família quase inteira
deixei até a mãe

sobretudo, vim

vim trazendo o filho
uma bagagem menor que a de sempre
um olhar de quem nunca viu
e o coração extremado
incabível
sem tamanho

é que a cidade me cativou
é que Anita me comoveu
é que a fonte me enfeitiçou
foi tudo sem palavras
mas que bom
mas que bom que vim
e que fiquei

eles vêm, eles vêm
para o verão
o carnaval
a república
para dias de bonança
e se vão

e eu prefiro
é a cidade vazia
fria fria
do outono do inverno
me apetecem com gosto
os dias e as noites
de vento nordeste
de chuva essa chuva
a lagoa sem botos

como pedir só calor e multidão
se é no tempo adverso
que minha paixão tem crédito
e meu amor é insuspeito?

na praça da igreja
livre de gente
tomada de vento que uiva
[valsam fantasmas
de gente célebre?]
circulo a figueira-relíquia
aquela
da nau do Giuseppe
e o que penso
desenha-se fiel
em meu semblante
de quem levita
estou em casa