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terça-feira, 14 de agosto de 2018

MEMBROS DO INSTITUTO CULTURAL CHACHÁ: SÉRIE ENTREVISTA




FÁTIMA BARRETO




Natural de Laguna, Fátima já residiu em Imbituba, onde sua mãe lecionava; em Lauro Müller, em razão de seu trabalho; e em Florianópolis, desde a graduação em Educação Física, pela UDESC, tendo ainda lecionado na capital e trabalhado no departamento de educação física da Secretaria de Educação, quando esta realizava os Jogos Abertos. 

Uma reflexão sobre a Laguna de hoje? “Ela tem a missão de se reerguer, como o país, nesse momento dramático. Acredito na juventude. Laguna precisa retomar seu caminho, em especial na cultura, que é historicamente seu expoente maior. O polo da UDESC aqui é um baita diferencial, que já mudou o destino dos jovens que não precisam sair da cidade pra estudar. Idem sobre o que o SESC oferece para Laguna. E penso que vale a pena as escolas fundamentais e secundárias darem um gás a mais em se tratando de cultura e literatura. Laguna já viu Bibi e Procópio Ferreira encenando O Avarento, de Molière, no Cine Teatro Mussi. Atrações desse nível não podem ser apenas lembranças distantes. Sinto que muitos lagunenses, talvez acostumados com o que a cidade naturalmente oferece, acabam não percebendo sua magnitude. Mas gente de outros lugares se apaixona por ela, vem morar aqui, e não raro são os que mais a valorizam e fazem a diferença. Conheci uma família esses dias, vinda de fora, morando agora num bairro da área rural de Laguna: um capricho com o que plantam, com tudo. E o menino já leu mais de uma centena de livros. Isso me renova a esperança no presente e no futuro.” 

Qual sua arte? “Literatura e fotografia. Comecei como cronista no jornal A Gazeta, em Floripa, durante a faculdade. Das minhas maiores influências destaco Adélia Prado, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, e a poesia em geral. Também já me interessei muito pelos autores catarinenses. Por longo tempo publiquei em jornais lagunenses. E na fotografia, quando professora, em Lauro Müller, com meu primeiro salário comprei uma máquina numa lojinha da rodoviária, e saí fotografando tudo. Quando nasceu minha filha, comprei uma máquina potente, que depois ficou um tempo de lado, até eu ir morar no Mar Grosso. A natureza local me inspira muito. Algumas fotos minhas viraram capas de livros.” 

Participa de outros grupos? “Sim, do Carrossel das Letras, que eu quis muito integrar. A foto da capa do nosso primeiro livro, Encontros, é minha. Há quatro anos moro em Floripa, e lá também integro a Confraria do Pessoas, que relembra as pontes entre Brasil e Portugal. 

Conheceu o Chachá? “Sim. E escolhi a arte dele pra abordar em meu trabalho final do curso de História da Arte, na Unisul, em Tubarão. A professora Valdézia gostou muito, e ele acabou exposto na biblioteca da instituição. E a partir disso, por e-mail, também acabei fortalecendo minha amizade com a Jaqueline Bulos, filha do Chachá, que na época já morava na Suíça.” 

Que mensagem gostarias de deixar às gerações futuras dessa nossa cidade tão peculiar? “Existe uma tendência de se evitar política/políticos. Mas, ainda mais numa cidade pequena, é importante um maior engajamento nessa área. Acho a população tão alheia nisso. Não me sinto tão habilitada a mandar um recado lá pra longe no tempo, mas creio que cultura e desenvolvimento econômico andam juntos. Dia desses, fui assistir à Camerata Frankenstein e tive a alegria de ver de novo o que é arte e beleza, porque é isso que tem que acontecer. Cultura e educação precisam estar atentas a isso. Então, para os que vêm, em resumo diria: buscai os livros.”

domingo, 12 de agosto de 2018

MEMBROS DO INSTITUTO CULTURAL CHACHÁ: SÉRIE ENTREVISTA


(publicado inicialmente em https://issuu.com/ocorreio/docs/ed_1453)


LAURA BURIGO



Natural de Lages, de onde saiu aos 23 anos, morando também em Canoinhas, Três Barras, Curitiba, Imbituba e Florianópolis, veio para Laguna em 2007, como 1ª colocada em concurso público para lecionar artes em escola municipal. Na época fixou-se no Sertão da Estiva, hoje Pescaria Brava, pelo verde do entorno e porque lá podia cumprir seu expediente semanal em local único. 

Sua formação? “Estudei em colégio de freiras e depois em escola pública estadual, em Lages; me licenciei em artes visuais pela UDESC, em Florianópolis; lecionei artes. Agora estou aposentada e não paro de fazer “arte”… Artes visuais contemporâneas. 

Que reflexão gostaria de compartilhar sobre a Laguna de hoje? “Como 3ª cidade fundada no estado, posso, em termos históricos, dizer que nasci nela (num lugar que já pertenceu a ela), o que para mim é uma honra. No entanto, a Laguna de hoje é praticamente uma sombra do que já foi, em progresso, prosperidade e preservação da natureza. Ainda gosto dela, conheço-a desde 1966, já não sei quantas vezes voltei. Sim, bebi a água da Carioca”. 

Que arte produz? “Produzo o que há anos chamamos de arte contemporânea. Embora use também materiais clássicos, faço muito uso de material descartado, às vezes encontrado nas ruas. Penso que produzo arte desde muito jovem, não sei exatamente quando e como começou. Só tomei consciência de que o que fazia era realmente arte já na faculdade, lá pelos 50 anos. Demorei a aceitar. Hoje me sinto bem como artista visual”. 

Gostaria de destacar alguma experiência sobre grupos ou coletivos de arte e afins? “Integro o Instituto Chachá desde a fundação. Participei ativamente de oficinas de arte e artesanato em Curitiba. Em Imbituba, além da escola, desenvolvi muitos trabalhos incluindo música, teatro e artesanato, em projeto da FUCABEM. E lá, quando presidente do grupo de artesãos, organizei nossa ida à Festa do Senhor Bom Jesus dos Passos, em Imaruí. No dia não levei minhas peças (cerâmicas grandes e pesadas), pois fomos de ônibus fretado. Eu não sabia que no dia da tal festa não saía ônibus nenhum de Imaruí. Resultado: sem ter levado nada para expor, tive de ficar o dia todo lá, com minha família me esperando em casa e sem poder avisá-los. Já participei de inúmeras oficinas de arte, e destaco a que aqui foi ministrada por italianos de Ravena (‘cidade-irmã’ de Laguna) especialistas em mosaico bizantino, onde aprendi inclusive sobre o histórico desse trabalho tão famoso por suas peculiaridades”. 

Conheceu o Chachá? “Não, mas atualmente tenho amigos que o conheceram. Meu genro tem uma coleção significativa de obras dele, até doou uma tela grande recentemente ao nosso instituto. Minha filha trabalhou com ele na prefeitura. Muitos o referem como uma pessoa bem-humorada, que pintava sem parar e ainda escrevia manualmente para um jornal. Existem histórias e estórias sobre ele, que assim vai se tornando lenda”. 

Sobre memória e compartilhamento da cultura local e do fazer artístico e cultural, que mensagem gostarias de deixar para as gerações futuras que habitarão essa cidade tão peculiar que é Laguna? “Sabemos que hoje a cultura infelizmente não interessa muito ao poder público. No entanto, acredito que há muitas pessoas interessadas por música, teatro, artes visuais e outros segmentos culturais importantes, e que podem, sim, despertar nos jovens o entusiasmo por essa cidade peculiar”.

MEMBROS DO INSTITUTO CULTURAL CHACHÁ: SÉRIE ENTREVISTA


(publicada inicialmente em https://issuu.com/ocorreio/docs/ed_1449)


IZABEL CRISTINA VIEIRA




Natural de Bom Retiro, no estado catarinense morou também em Urubici, Lages e Pinhalzinho; depois em Porto Murtinho/MS; após, em três cidades mato-grossenses: Juína, Aripuanã e Canarana; no exterior, residiu em Sintra e Lisboa, ambas em Portugal; voltando ao Brasil e ao estado de origem, morou na vizinha Tubarão, e finalmente fixou-se em Laguna, onde até então permanece. “Escolhemos Laguna pelas belezas naturais que propiciam uma melhor qualidade de vida, e pela proximidade com Tubarão, pois meu ex-marido trabalhava na Unisul.” Atualmente doméstica e tendo se diplomado no Magistério, Izabel destaca que em razão das várias mudanças entre cidades tão distantes, envolveu-se, ao longo da vida, especialmente com suas três filhas e com a casa. 

Sobre que reflexão gostaria de compartilhar a respeito da Laguna de hoje, ela destaca: “Fico preocupada com o nível cultural e o pouco investimento. Quando há projetos a divulgação é pouca”. 

Questiono sobre o contexto de sua produção ou inspiração artística e participação em segmentos e movimentos culturais na atualidade. “Gosto e me atrevo a dizer que a arte me inspira na busca de aperfeiçoamento pessoal e espiritual. Estou sempre em busca do belo, da perfeição, da harmonia… Gosto de pintar, tecer (tear), amo fotografar, tenho na música um amor à parte, estou sempre buscando também o som perfeito. Tendo sido convidada a conhecer, estou hoje integrando o Instituto Chachá, onde encontrei pessoas dispostas a levar avante projetos artísticos e culturais”. 

Sobre nosso pintor homenageado, Chachá ou Richard Calil Bulos, pergunto se o conheceu pessoalmente. Se sim, que lembrança tem? Se não, que ideia faz? “Não o conheci. Vejo-o como uma pessoa de percepção aguçada, sensível… Pintou o cotidiano de forma suave, com traços firmes mas evanescentes, marcantes nas tramas e redes de pesca dos personagens”. 

Por fim: considerando nosso cenário municipal atual, e considerando estares fazendo parte deste grupo, preocupado com a memória e o compartilhamento da cultura (local e global), da arte e do fazer artístico e cultural, que mensagem gostarias de deixar para as gerações futuras, principalmente as que habitarão essa cidade tão peculiar que é Laguna? “Minha mensagem é no sentido de unir o belo e a beleza. De natureza prodigiosa, Laguna é ainda um riquíssimo patrimônio histórico… Eu destacaria, por exemplo, a importância de aproveitar melhor os espaços preservados para fomentar a cultura e as mais variadas expressões artísticas, desenvolvendo, dessa forma, o potencial criativo dos que aqui moram e estimulando outros a virem pra cá, trazendo outras experiências e assim enriquecendo a oferta”.

MEMBROS DO INSTITUTO CULTURAL CHACHÁ: SÉRIE ENTREVISTA


(publicada inicialmente em https://issuu.com/ocorreio/docs/ed_1443)

CRISIANE NUNES BEZ BATTI




Natural de Vacaria/RS, Crisiane escolheu, com o esposo, a cidade de Laguna para morar, há quinze anos. Surda desde os dois anos, é formada em pedagogia e pós-graduada em educação especial e Libras. É a primeira/atual presidente da Associação Lagunense de Pais, Amigos e Surdos (ALPAS). 

Que reflexão ou observação pessoal gostaria de compartilhar sobre a Laguna de hoje? Sua resposta está no contexto de uma vitória recente, que, com o apoio de algumas outras pessoas e entidades, protagoniza: “Laguna ultimamente vem sendo pioneira na educação voltada para surdos, como no caso da sala bilíngue, única em todo o estado catarinense”. 

Além de ingressares no Instituto Chachá em 2017, e lá dares suporte para que nossas atividades sejam bilíngues (português + libras), participas de mais algum grupo ou coletividade cultural? Gostarias de destacar alguma experiência? “Sim. Dentre as várias atividades que a ALPAS já proporcionou à comunidade surda (tão carente em suas peculiaridades, não só na cidade mas de forma geral), estão três grandes encontros, no Cine Teatro Mussi, que proporcionaram o acesso do público, principalmente vindo da comunidade surda de Laguna e cidades vizinhas, a conteúdo de alta qualidade, pensado com muito carinho e cuidado, com palestrantes de alto nível de capacitação em diversas áreas (jurídica, pedagógica, acadêmica, social, médica, familiar, etc). 

Conheceste pessoalmente Richard Calil Bulos, o Chachá? Se sim, que lembrança tem dele? Se não, que ideia faz? “Não tive a oportunidade de o conhecer. Mas agora, pela obra que nos deixou, não tem como não me encantar com suas cores e figuras tão singulares, com os traços e nuances de cada uma de suas telas, tão cheias de vida. 

Considerando a Laguna atual, e estares integrando o Instituto, preocupado com a memória e o compartilhamento de sua arte e cultura tão peculiares, que mensagem gostarias de deixar para as gerações futuras que a habitarão? “Laguna tem uma riqueza histórico-cultural rara. Mas isso precisa ser melhor aproveitado, enquanto é tempo. Em 2017 a ALPAS participou da semana cultural, com divulgação de material sobre libras e cultura surda. Foi emocionante para nós esse compartilhamento e podermos prestigiar as apresentações trazidas, mas foi um tanto frustrante o desinteresse da população em geral. O que talvez se explique, em parte, pela própria organização do evento, contratando os artistas muito em cima da hora e divulgando a agenda mais de última hora ainda. Falta levarmos nossa riqueza lagunense mais a sério. Tenho em andamento um projeto de pesquisa e resgate histórico do uso da língua de sinais em Laguna. Não é tarefa simples: por diversos motivos, desde sempre os surdos foram mantidos à margem da história oficial (e em muitos casos ainda hoje é assim). Mas o resultado é gratificante, e me reforça a consciência de estar fazendo a minha parte”.

MEMBROS DO INSTITUTO CULTURAL CHACHÁ: SÉRIE ENTREVISTA


(publicada inicialmente em https://issuu.com/ocorreio/docs/ed_1440)


ANDRÉA CRISTIANE NUNES





Natural de Capinzal/SC, tendo morado também em Treze de Maio, Lages e Tubarão, Andréa fixou-se em Laguna em 2017, em razão do trabalho do esposo. 

Formada em Direito, atualmente faz pós-graduação em gestão pública e estuda para o mestrado em ciências da linguagem, além de trabalhar num escritório de advocacia. 

Sobre que reflexão gostaria de compartilhar a respeito da Laguna de hoje: “Laguna tem um grande potencial, porém ainda está adormecida em alguns aspectos”. 

Questiono sobre o contexto de sua participação em segmentos e movimentos culturais na atualidade. A resposta não foi menos que essa: “Ano passado li uma reportagem sobre uma indígena que teve a mão decepada por motivos ligados à demarcação de terras, mas desde pequena me interesso sobre essa cultura. Lia, via fotografias nas páginas da National Geographic que meu pai colecionava e meus olhos brilhavam. Pensava que um dia eu ainda ia conhecer as aldeias, a cultura desse povo, e de fato realizei esse desejo. Participo também de um coletivo que luta pelo direito à moradia, estamos nos reorganizando no Estado. Sempre participei como voluntária em outras áreas. Atuei alguns anos ativamente dentro da entidade Cáritas (sinônimo de “caridade”), lá temos hoje alguns trabalhos junto aos imigrantes (africanos, haitianos e venezuelanos).” 

Além de todas essas vivências, cujo compartilhamento desde já enriquece a alma e as atividades deste nosso Instituto Chachá onde recentemente ingressaste, inclusive compondo a diretoria como Primeira-secretária, gostarias de destacar alguma outra experiência? “Sim, sobre o trabalho com os indígenas. No começo do ano passado participei de um encontro em Goiás, onde tive a chance de conhecer voluntários e representantes de diversas comunidades tradicionais, como os extrativistas, geraizeiros, quilombolas, catadores de flores, indígenas, pescadores artesanais e outros. Foi muito bonito ver tanta diversidade reunida num só lugar”. 

Voltando ao nosso pintor homenageado, Chachá ou Richard Calil Bulos, pergunto se o conheceu pessoalmente. Se sim, que lembrança tem? Se não, que ideia faz? “Não o conheci, mas conheço suas obras. A ideia que faço dele é de uma pessoa muito sensível que tinha um talento maravilhoso”. 

Por fim: considerando nosso cenário municipal atual, e considerando estares fazendo parte deste grupo (ICC), preocupado com a memória e o compartilhamento da cultura (local e global), da arte e do fazer artístico e cultural, que mensagem gostarias de deixar para as gerações futuras, principalmente as que habitarão essa cidade tão peculiar que é Laguna? “Acredito que temos o dever de preservar e valorizar o que temos. Algumas vezes não conseguimos ver o valor do que possuímos. Mas a história se constrói no hoje, então a responsabilidade é de todos, é do coletivo, e é importante percebermos isso a tempo, para que esses nossos valores não se percam. Estarmos abertos a conhecer, experienciar, fazer a nossa parte sem prejulgamentos, se desprender, se despojar… Acredito que tudo isso nos torna pessoas melhores e também contribui para a compreensão do nosso semelhante”.

MEMBROS DO INSTITUTO CULTURAL CHACHÁ: SÉRIE ENTREVISTA

(publicada inicialmente em https://issuu.com/ocorreio/docs/ed_1466)

MARCIO JOSÉ RODRIGUES


Natural de Gravatal, já tendo residido também em Tubarão e Florianópolis, fixou-se em Laguna quando voltou da capital formado em Odontologia pela UFSC, em 1963. Hoje aposentado, exerceu o ofício até 2016. 

Sobre a reflexão que gostaria de compartilhar a respeito da Laguna de hoje, ele destaca que culturalmente a cidade está muito descaracterizada. “Laguna é um lugar onde o movimento de migração, indo e vindo, é muito expressivo, inclusive pela falta de meios de sobrevivência. O lagunense migra muito, e também recebe outros de culturas muito diferentes. Parece que o amor-próprio do lagunense anda meio carcomido. Aliás, parece que muitos dos que defendem Laguna nem são os lagunenses de nascimento. Considero a derrubada da casa de João Tomaz de Souza, onde atualmente funciona o Banco do Brasil, uma grande perda arquitetônica. O que recebemos hoje vem tudo de cima, o povo é pouco participativo. Mercado Público fechado. Várias burocracias emperrando a cidade. 

A respeito de sua produção artística e participação cultural, é uma resposta que requer fôlego. “Sempre desenhei e pintei, até fornecendo muito material para projetos na cidade, como as decorações temáticas de eventos no clube Blondin. Na música, participei do Coral Santo Antônio. E sou um dos fundadores do Coral da UFSC. Sempre escrevi os históricos e apresentações dos CDs do Coral Santo Antônio. E faço literatura e poesia. 

Participa de outros grupos/coletivos de arte, cultura ou afins? Se sim, quais? “Além do Chachá, participo do grupo Carrossel das Letras, onde já lançamos uma série de coletâneas literárias. Também participei de dois cadernos de autoria produzidos pelo SESC”. Na “Sociedade Musical União dos Artistas”, de 1860, ocupa cargos desde presidente de honra até orador. É autor de dois livros solo, “A Confraria”, que conta a história da Irmandade do Santíssimo Sacramento e de Santo Antônio (1763), e “Antônio dos Botos”, trilogia de contos que resgata histórias de pescadores açorianos/lagunenses (A visita/ O Linguado e o Siri/ O Pescador Julião). 

Sobre o Chachá, que lembrança tem? “Ele era de uma família sírio-libanesa bastante aristocrática. Seu pai era médico formado na França, que, no entanto, não conseguiu validar seu diploma no Brasil. Chachá era autodidata excelente em desenho, pintura e caricatura. Tinha uma conversa muito boa, era meu amigo pessoal. Sempre vestido impecavelmente, tinha fala amena, agradável, culta. 

Por fim: considerando nosso cenário municipal atual, em todos os âmbitos, que mensagem o senhor gostaria de deixar para as gerações futuras, principalmente as de Laguna? “Desde o homem do sambaqui, passando pelo índios carijós, a expansão europeia…, Laguna é o local do Brasil mais emblemático em torno dessa colonização sul-americana. Riquíssima em cultura, história e acervo natural. Acredito que a única coisa que um povo tem de verdade é sua própria alma. Falo das características psicossociais do povo, sua alma, falo da importância de se repassar as histórias adiante, o que muito antigamente se fazia em redor da fogueira. Isso são coisas que nos caracterizam em particular como o povo que somos. Não podemos perder o vínculo com nossas raízes. Para finalizar, me conta que criou o vocábulo “lagunidade”, se referindo ao sentido de “pertença” a este lugar. E evocando ligação não só genética, mas como se fosse o DNA do sentimento. “Observo que todos que amam Laguna, acabam se integrando e fazendo o bem pela cidade.”

sábado, 14 de outubro de 2017

Grandes encontros

É dia 14 de outubro, e, como meus planos lunáticos estão dando certo, estamos em Teresina, num calor de fazer sulista infartar só de olhar pra fora do hotel. Minha armadilha já tá lançada pra que meu amigo Leandro seja pego de surpresa em sua casa, nesse dia que é o do seu aniversário, no bairro Vermelha Sul.
V i n t e a n o s e s e i s m e s e s. É o tempo que passou desde o início da nossa amizade postal, em abril de 1996. Quando a expressão “amizade virtual” começou a se concretizar entre as pessoas do meu dia a dia, eu já era PhD em amizades à distância, mas pelo correio convencional. Leo é o último dos meus grandes “amigos de carta” que me falta conhecer pessoalmente, pelo menos dentre os mais chegados. Ele não faz ideia que planejei esses meus trinta dias de férias em torno do compromisso número um que é aparecer de surpresa na sua porta, cantando parabéns com um bolo na mão, no dia do seu aniversário.
Quando, meses antes, contei empolgadíssima a ideia pro querido & parceiro de viagens, ele fez uma cara de desgosto e se limitou a dizer: “tu sabe que esse tipo de mico nunca dá certo, né?”, e eu respondi que “eu sei, mas deixa eu fazer uma dessas uma vez na vida!”
Aproveitando ter registrado no facebook a passagem relâmpago, um dia antes, pelo Museu do Amanhã, com a amiga Marcinha (“a menor gigante que conheço”), ligo pro Leo, já no hotel em Teresina, pra despistar, lhe dando os parabéns de sempre, e digo que estamos no Rio, viu a foto? Tá um calor aqui no Rio, sabe, e ele me conta que "lá" também, e que na manhã seguinte, sábado, vai ter a festa dele na casa da irmã e coisa e tal, com piscina e tudo. Ebaaaaa!, se alegra em segredo a parte do meu cérebro que ainda não derreteu.
Eu vigiando seus passos pelo zap, lá vamos nós atrás dum bolo de aniversário. Encontramos um supermercado, tem um bolo lindo, mas primeiro, pelamoooooordedeus, um tubo grande de protetor solar fator mil, porque o fator trinta que trouxe do sul não dá nem pro cheiro. Isso porque em Teresina não arriscamos uma quadra sem táxi. O que em qualquer outro lugar sempre nos parece frescura, aqui é sobrevivência pura.
Vinte anos e seis meses. Um amigo que só conheço por cartas. E telefone, e-mail, fotos, presentes, etc. O Leo é a pessoa que mais me serve de exemplo quando lembro que quem quer estar na vida de alguém, mesmo longe, consegue. Ele participa ativamente da minha, há mais de vinte anos. Até doce de caju feito pela dona Raimunda, sua mãe, ele faz chegar em mim, em nós, em Laguna, no sul brasileiro que ele ainda não conhece, ou melhor, só por carta. Por enquanto.
Mas voltando a Teresina antes que o sol de trocentos graus derreta o bolo. 



Instruções ao querido pra registrar o encontro. O taxista procura a casa, sei as coordenadas de cabeça, vinte anos e seis meses endereçando os envelopes pro mesmo lugar.
Mando um zap jogando um verde, ele diz que tá em casa, jogando game com seu sobrinho. Peço que não saia porque lhe mandarei uma surpresinha por um motoboy. Já na chegada o flagramos tentando pegar um melhor sinal de internet em frente a sua casa. A sobrinha Isabela está em redor, sempre.
FELIZ ANIVERSÁRIO!, desejamos do jeito mais realizável que conseguimos. Hoje, os 3.425 quilômetros que separam nossas casas são apenas números: nada atrapalham nesse abraço improvável mas muito verdadeiro. Na hora tenho vontade de mandar pro face nosso grande troféu, o souvenir máximo desse encontro: o vídeo de 33 segundos que registra nossa chegada na escaldante Rua Valdivino Tito. Mas os amigos nem acreditariam me vendo postar algo em tempo real, capaz de pensarem que é vírus. Depois de duas décadas salivando, o bolo é acompanhado com cajuína bem gelada, sim, senhor :D



A noite ainda nos presenteia com um outro grande encontro: o n. 4 de Elba + Alceu + Geraldo, no Teresina Hall. Leo não pode ir conosco, pois vai trabalhar nessa noite. Mas ele, Isabela e tia Raimunda vão conosco ao shopping comprar os ingressos. 





E amanhã tamos lá na festa na casa da irmã, pensa que eu esqueci, é, seu Leo?  
(À noite desse dia transbordante, o show começa com uma vida de atraso. Guardo até quase no fim um fiozinho de bateria da câmera, confiando no repertório, digo, esperando pela morena tropicana que há de vir, ai, ai, oi, oi, eu mega piegas entregue à felicidade de um dia realizado, e ela vem e arrasa, digo, o Alceu nunca me decepciona).
Dia 14 de outubro de 2016. Um dia que pra mim não é uma data apenas: é uma celebração sem prazo de validade. De grandes encontros que minha memória de elefante nunca há de me deixar esquecer.
Tá fazendo um ano. Na época, no ato, vou contando a trama no varejo, aos amigos do itinerário. Mas a distância é grande: pra pegar carona e registrar no atacado, é agora ou nunca mais.


domingo, 27 de agosto de 2017

No dia em que descobri as funções do sambaqui

(Publicado primeiramente aqui.)



É primavera de 2014
eu nas pesquisas pruma arte visual
sobre aquela maniazinha
que se carrega pela vida:
querer deixar no mundo um nada que seja
uma coisinha que nos imortalize
e pra isso serve um poema,
uma piada,
uma história,
uma tela,
um biquinho de crochê
um filho
uma foto
uma boneca de pano
a dedicatória escrita num livro
uma pipa caseira
uma casinha na árvore
um souvenir de Itavuvu da Serra
uma receita especial de nhoque
pra usar nos dias vinte nove

serve até um mantra
e, na falta, serve um
bilhetinho já lido
de biscoito da sorte
(...)
escolho representar na tela
uns padrões de pintura rupestre
com a arte da pré-história mostrando
essa mania de deixar pegadas
não é coisa só de agora
(...)
nisso é que acontece
acidentalmente
cruzando google com
livros de história
a minha grande descoberta desse dia:
eu até então pensando que sambaqui
era só um monte de concha antiga
descubro que nos antigamentes
ele era espaço multiuso,
monumento, mirante, cemitério,
oficina metalúrgica e lítica
além do calcário para a construção civil
comparado em livros e estudos
às esfinges e pirâmides do Egito!
será que eles sabiam que essa concharada
tinha chance de chegar ao nosso tempo?
só sei que hoje, quando ando na praia
e vejo qualquer cacareco de marisco,
com um cantinho do olho entre
o astigmatismo e a agonia
eu olho pra trás, olho pra frente
enxergo passado, enxergo futuro
tudo assim meio bagunçado
bem aqui no meu presente.



(detalhe da tela Enigma do Esquecimento, 2014)



Textos semanais n'O Correio



Inaugurando um espaço semanal para textos meus, no jornal O Correio, do Paulo. Todas as quartas-feiras, impresso e na internet. Na página 5 desta edição: "A Laguna o que me faz".


domingo, 23 de julho de 2017

ENVIANDO MEMÓRIAS PARA MAIO DE 2057

(Publicado primeiramente aqui (parte 1) e aqui (parte 2).


Quase fim do expediente forense, dia tal de abril de 2017. No próximo 9 de maio nossa Comarca de Laguna completará 160 anos de instalação, e acabo de ser convocada pelo doutor Paulo diretor do foro pra compor a comissão organizadora das festividades. Que honra! Cinco minutos depois, na primeira reunião, ele pede ideias à equipe recém-formada. Algumas se cruzam. Eu sugiro uma exposição, sei que tem uma coisarada linda doada por Laguna no Museu do Judiciário Catarinense, na sede do TJ. Relógio, urnas, processos antiquíssimos super bem cuidados, já vi pessoalmente a Jaqueline apresentando, doutor. Ele e os colegas de comissão gostam da ideia. Ah, também posso escrever uma crônica sobre a data. Amo quando falam em homenagear os servidores mais antigos, na ativa é a Rosane, e dos aposentados os colegas que são daqui começam a lembrar nomes que desconheço. De início Jucenara cita dona Betina, o Walmor que não é o que é pai de sete filhos fala em José Fonseca, e eu me disponho a entrevistá-los. Memórias, eis uma palavra que venero, ainda mais no plural. Dona Betina está com mais de oitenta anos, enxerga pouco e mora quase vizinha do fórum. Ansiedade minha a de encontrá-la. O Walmor vai comigo e nos apresenta, marcamos a entrevista. Dali a dois dias, enquanto do lado de fora o Brasil é uma sucessão de bizarrices principalmente políticas escorrendo pegajosas e nonsenses pela tevê, na sala de dona Betina está uma calmaria que dá gosto enquanto vou anotando os apontamentos de sua fala, Siiim, lembra muito bem, trabalhou ali sempre na mesma sede de hoje, de 1979 a 2004 (“Não tem problema se eu errar alguma coisa, né?”), várias salas tinham piso de madeira, gostava de faxinar o salão do júri aos sábados, sozinha, com bastante capricho, os cartórios particulares eram no fórum também, tem uma gratidão muito especial pela doutora Rejane, se lembra com carinho de muita gente, doutor Erwin, doutor Renato, doutor Maurício, Alceu, Valmir oficial de justiça, Maria Laura, doutor Aurino, José Fonseca, doutor Sidney Bandarra, Adelir, Abelardo, Elisa, e penso, seja o que Deus quiser se sair errado um ou outro nome do povo todo que habita essas suas lembranças.
Uma fotinho no fim, com seus santinhos por detrás. Eu já de saída, conto pra sua filha Nilza que descobrimos um parentesco distantemente enviesado: minha avó paterna era dos de Bem lá da Madre, sabe; a sogra da dona Betina também era. O Museu do Judiciário super nos ajuda com material e ideias pontuais para a expo (vida longa aos bons museus do mundo!): por exemplo, a Jaqueline me sugere incluir o registro de nascimento tardio da nossa conterrânea Anita. O processo está no Arquivo Central, o Rodolfo da primeira cível agiliza o pedido pra nós. Dias depois, quando no meio da tarde da sexta-feira dia cinco cai nosso sistema SAJ, aproveito pra fazer o levantamento dos restos mortais dos livros de sentença mais antigos daqui do cartório criminal, alguns quase centenários. Eles acabarão não entrando nessa expo, mas quero mostrá-los ao Sandro quando vier de Floripa trazendo os empréstimos do Museu.
O Diego meu chefe registra pra mim essa arqueologia cartorária eventual, que eu amo mais a cada página impregnada de fungo e memórias que leio. Na sequência ficamos também sem eletricidade, na Laguna inteira, e estou no arquivo da primeira cível com a lanterna do celular ativada, garimpando, quando fico sabendo que o processo da Anita chegou. Euforia é pouco.
Enquanto isso, em Cape Town o Ramon me envia cartões-postais das suas longínquas miniférias africanas, que só me chegarão bem depois do retorno dele próprio, mas ele, que além de secretário do foro também compõe a comissão, ainda chega a tempo de fazer muito pelo aniversário da Comarca.
Graças à ajuda da Maria Cláudia consigo a entrevista na casa do nonagenário senhor José Fonseca, na presença da filha Eveline e da esposa Mírian, super queridas e prestativas. Tudo muito rápido pra incomodar o menos possível os tratos com a saúde do entrevistado. “Sim... Recorda o trabalho no fórum... De 1951 a 1984... Trabalhou inclusive com sua irmã Elisa... Tem ótimas lembranças de muita gente... Vinícius Duarte... Neri Demétrio... Carlinhos Horn... Doutor Erwin... Perguntado, diz que conheceu Arcângelo Bianchini, o que dá nome à rua onde o fórum se situa. Preciso saber mais sobre o Arcângelo em razão de questões incidentais de reuniões da comissão. Recorro ao amigo historiador Ronaldo David, de Criciúma, e recebo dados preciosos sobre esse imigrante italiano visionário e empreendedor que tanto fez pela região sul do estado. Já tenho as duas entrevistas mas a crônica vai ficando pro final. Aliás pra não sei quando, porque tudo nesse mês é mais urgente. Cada coisa vai encontrando seu melhor jeito de acontecer. Conseguimos com a Fundação Lagunense de Cultura o empréstimo de painéis (elucidativos da Justiça nos antigamentes da cidade) e outras peças do Museu Anita Garibaldi. Ivonete e Rosane deixam tudo brilhando antes de incluí-los na exposição. Conseguimos apoio excelente da Divisão de Artes Gráficas da nossa instituição TJSC, tudo tratado por telefone e email e chegando por correio em dias de ansiedade e correria. Conseguimos fotografias antigas das várias sedes do foro da Comarca, graças ao acervo do Foto Bacha, do Carlos Marega e do Carlinhos Horn. “O dia nove”, é como nós da comissão o referimos. O dia nove é uma entidade com muita vida própria. Movimentadíssimo com apresentação da centenária Banda Carlos Gomes, exposição, visita de autoridades e de grande público, discursos emocionados, hasteamento de bandeiras, entonação de hinos, mostra de redações de estudantes municipais, sessão especial das câmaras de vereadores de Laguna e Pescaria Brava, cobertura jornalística do programa Justiça Legal e Unisul TV, ação de graças com o padre Lenoir que começa lembrando que tudo se resume na palavra gratidão, Joãozinho Rodrigues cantando lindamente em italiano, parabéns pra você e bolo de aniversário com Rosane e doutor Renato soprando juntos simbolicamente as velinhas de 160 anos da Comarca, entrega de placas de homenagens a autoridades, servidores aposentados ou na ativa e outros, etc. É um dia infinito, mas mesmo assim ele não resume a longa movimentação excepcional que embalará a Comarca durante todo o mês.
Ainda teremos visitação de escolas, apresentação de coral e banda da Fundação Bradesco, distribuição de mudas de árvores frutíferas, audiência simulada educativa para o público infantojuvenil, sessão especial de julgamento da Quarta Turma de Recursos de Criciúma, que ao final do dia nos presenteia com uma muda de Árvore da Felicidade, amém.
Numa das reuniões iniciais, meu chefe doutor Renato, juiz com maior tempo de judicância na história de Laguna, havia mencionado um crucifixo de parede doado pela Comarca à Paróquia anos atrás, e, a pedido do doutor Paulo, vou com Walmor e Ingrid Leonardo atrás de Lurdinha Silva, pessoa incumbida de nos dar acesso à Igreja São Francisco de Assis, na Comunidade do Mato Alto, onde, pela manhã, em conversa com o padre, o Walmor descobrira ser o paradeiro do tal crucifixo, e pra não deixar dúvidas do tiro certeiro, as lentes da Ingrid registram, do alto duma escada improvisada, até a plaquinha de metal afixada ao pé do grande crucifixo no topo do altar principal: “Tribunal do Jury de Laguna – Maio de 1929”.
A Lurdinha se surpreende, sempre limpam ali sem reparar na inscrição. Ela nos garante que visitará o fórum pra ver tudo, e vai mesmo.
Dias depois, a Maria do Carmo passa pela exposição enquanto estou também no alto duma escada acrescentando as fotos do crucifixo e entorno recém-chegadas da Gráfica, e me ajuda de longe indicando se e onde preciso endireitar as imagens. Vou sempre tentando pensar numa data oportuna pra publicar a futura crônica, que consigo pelo menos começar na manhã do dia nove, entre a correria intraduzível da montagem da exposição e dos demais preparativos da data, com Marcelo se virando em cinco pra ajudar a pendurar quadros, erguer expositores, prender balões, faixas, redações, enquanto a Cida me ajuda a preparar um móvel da sala da Regina assessora pra ser o suporte do processo da Anita. Fico sabendo da ideia da sua xará doutora Regina, integrante da comissão, com execução do seu esposo doutor Vilson: uma CÁPSULA DO TEMPO! Genial, ge-ni-al, eu falo.
Pra guardar os souvenirs desse mês, pra ser aberta somente nos 200 anos da Comarca. Mediante portaria determinando que se convide, pro evento de abertura, os membros desta comissão que formamos, ou aqueles que daqui quarenta anos nos representem. Preciso avisar o Hiago, nunca se sabe. Por falar nisso, terminando maio, pelo whatsapp a Maria Cláudia me informa sem vontade nenhuma: o senhor José Fonseca, sabe, que tu entrevistou... Foi-se... Voar, eu penso. Obrigada por ter participado e se dedicado tanto. E agora, senhor José? Que o seu voo merecido seja leve, e lindo, e sabedor da minha e nossa imensa gratidão. Assim que fico sabendo da cápsula, reforço pros colegas assinarem a lista de presença da exposição, e o Sandro quando volta pra recolher os empréstimos é o penúltimo a registrar seu nome.
Tanto a mais acontece no meio desse maio, tantos outros e outras participam, ajudam, visitam, enriquecem um mês de muito trabalho extra mas pra lá de especial. No fim, pra tratar de uma cerimônia sui generis agendada com quarenta anos de antecedência, até que minha crônica saiu bem adiantada.